domingo, 18 de janeiro de 2009

ISNAR MOURA: TEMPOS COM HISTÓRIA

apresentada a ela em reunião da Academia de Artes e Letras do Nordeste,
na residência do Dr. Abdias Moura,
sob a Presidência da escritora Ana Maria César.

- Ôi! O que você está aprontando agora?
-  Eu não apronto. Só alinhavo.
-  Como é? Sem agulha e linha?
-  Pois é.
-   Ë nada! Está escrevendo números! Olha aí, 9, 0... Ë matemática e não alta costura.
-  Nada disso. Você vê tudo ao contrário! Eu alinhavo, não costuro. E isto não é matemática. É vida.!
-  Está brincando! 9 é nove e 0 é zero. Em todo caso 90.
-  Isnar, dá-me paciência! Não vê que é um círculo, bonito, redondinho como planeta, laranja, sol! É a unidade!
-  Que nada! Unidade é 1 e 0 é zero!
-  Discordo. Unidade é o somatório da diversidade integrada pelo alinhavo dos poetas.
- Ah! Agora quer me convencer que poesia é vida?
-  Não. Demonstro apenas que vida é poesia, quando se alinhava direito.
- Ah, é? Então como fica o 9, que tem um círculo mas escapa uma perna para lugar nenhum?
-  Bem, é simples.
-   Simples!?
-  Sim. O 9 é o todo um que estica a perna para chegar até os outros números.
-  Prá que?
-  Para praticar o que ensina!
-  Não entendi...
-  Ora, quando se tem um zero e ganha-se um nove na frente é porque se descobriu a linha do alinhavo!
-  Êta coisa enrolada!
-  Não. Coisas alinhavadas...
-  Isso parece letra de música.
- Agora você acertou. Para se chegar a ter 9 e 0 precisa-se passar pela música, aprender e ensinar o “a bá”, falar pelo jornal o que todo mundo sente mas não diz, virar menino de rua, sendo sempre aprendiz. Digamos, ficar com 7 ou 9 anos enquanto o tempo colore pelas mãos de Saturno as rugas, a pele, os olhos, sem mudar o olhar. Desse se encarrega Júpiter.
- Ora bolas! Agora que me perdi todo! Como ir de números a planetas, aprender ensinando, escrever o que ninguém diz, ser grande sendo criança, fazer palavras virarem músicas, matemática poesia e no final misturar tudo com o alinhavo da perna do 9 e sem fio de bordar?!
-  Aí você se engana. O fio existe. Ë você que vê tudo ao contrário. Pegue aquele espelho...
-  Qual?
-  Aquele ali com o 9 seguido de 0. Marca das boas!
-  Que marca?
-  ISNAR MOURA
-  e O QUE FAÇO AGORA?
-  Olhe por ele e você vai ver o nome da marca do fio que tudo alinhava.
-  Nossa! Cadê?
-  Já vi! Mas aqui tem r, o, m, ...
-  Você vê ao contrário! Olhe pelo espelho!
-  Ah, Víje! Ficou fácil! O fio que tudo alinhava chama-se amor... Amor!

                                                                                         Cristina Manga
                                                                                    (in Alguns Retratos")


4 comentários :

  1. MERECIDA HOMENAGEM A MINHA CONTERRÂNEA, POR ISSO GOSTARIA DE SABER QUAL FOI O DIA DE SEU FALECIMENTO E EM QUE CEMITÉRIO FOI SEPULTADA.
    UM ESPECIAL ABRAÇO.
    JEOVÁ BARBOZA DE LIRA CAVALCANTI
    TIMBAÚBA - PE.
    e-mail: barbozalira68@hotmail.com

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    1. Infelizmente não tenho essas informações.
      Caso venha a conseguir posto aqui.
      Obrigada
      Cristina Manga

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  2. Esse, em particular, me emociona e me arrepia. Sinto essa homenagem além do que posso explicar.
    Continua!
    Paulinha

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    1. Não precisa explicar. minha satisfação é ver que o texto toca quem o lê.
      Missão cumprida!
      Obrigada!

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