domingo, 8 de fevereiro de 2009

O MAGO

Tinha muitas perguntas. Tantas que o caminho a seguir tornou-se confuso, complicado, um verdadeiro labirinto sem solução. Lembrou-se da cartomante recomendada. Seria sem dúvida a pessoa com as respostas que há tanto procurava em vão. Entrou convicta. Sentou-se. Aguardou sua vez numa fila sem fim de caras estranhas e ansiosas.

Quando finalmente chegou, ergueu-se decidida a descobrir o seu destino.

Na pequena sala algo de imediato chamou-lhe a atenção: a penumbra. Tudo estava envolto em penumbra e um perfume estranho preenchia os espaços. Observou não haver mobília de tipo algum e num dos cantos uma cortina escura enfatizava a solidão.

Nela, um pulsar forte denunciava uma presença que não conseguia ver apesar do esforço. Pensava: vim em busca de alguém que revelaria meu destino e nem sei encontrá-la num pequeno quarto vazio!

Devagar foi sentido-se leve. Seguiu-se o impulso irreversível de olhar atrás da cortina. Não havia outro lugar possível para esconder a cartomante. Na certa todo o cenário era apenas parte do jogo, tipo criar um clima...

Decidiu que todas as respostas estavam atrás da cortina e com um gesto firme puxou-a inteira para um lado. Uma imensa luz invadiu o quarto e ouviu-se a voz do Mago:

- Eis a tua advinha. A que possui todas as respostas. Aquela que te conduzirá ao teu destino, desde que saibas ouvir e cumprir.

Diante dela um grande espelho refletia a sua própria imagem.

                                                                 Cristina Manga
                                                                   (in "Portais")


4 comentários :

  1. Muito bom!!
    Fui com ela e senti até um frio na barriga puxando a cortina!
    Me vi ali!
    Beijos,
    Paulinha

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  2. Muito obrigada!
    É ótimo quando o escritor/a consegue fazer o leitor entrar assim na estória!
    Abração

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