domingo, 26 de julho de 2009

PONTOS DE CULTURA: RESGATE DE IDENTIDADE E INCLUSÃO SOCIAL

Tive um sonho e muitos outros sonharam comigo o mesmo sonho. Queríamos recuperar a dignidade, o valor, dos homens e mulheres que, no anonimato, mantinham vivas as raízes da nossa cultura, plena de diversidades. Homens e mulheres que dispersos por este Brasil, vivendo em condições precárias, excluídos muitas vezes das escolas, das academias, das universidades, sequer sabem a importância real do que fazem quando tecem, bordam, tocam, dão formas ao barro, dançam ao vento da praia e ensinam à seus filhos esses ofícios.

Eles, excluídos sociais, estavam mantendo vivas as formas de cultura do nosso país. Mais do que isso, estavam e estão mantendo viva a nossa identidade. Há muito tempo atrás perdemos a noção do mestre, a noção da importância daquele que ensina um ofício a outros. Parecia que apenas os produtos de fábrica, o discurso dos “letrados” tinham valor e continham verdades.

Quanta ilusão... O verdadeiro rosto de um país é o rosto de seu povo e não o discurso elaborado de intelectuais, ou o produto fabricado e depois divulgado pela televisão para enriquecer a poucos. Não estou aqui negando a importância de produtos e descobertas para uma melhor qualidade de vida do homem. Estou sim afirmando que deve ser para a melhoria da vida de todos e não apenas de parte da população.

A questão a resolver era e é: como restabelecer valor e inclusão social ao trabalhador manual, aos homens e mulheres que em seus ofícios mantêm vivas as formas de cultura do nosso país? É possível fazer da cultura um meio de vida digna e promover a inclusão social das pessoas e grupos que vivem dela? Sim, é possível.

A geração que sonhou comigo este resgate criou os chamados “Ponto de Cultura”. Não representa ainda a solução total, mas, a escada começa no primeiro degrau. E este degrau agora existe. Um “Ponto de Cultura” é uma pessoa, ou um grupo de pessoas, que por fazer e ensinar aquilo que fazem, mantém viva a nossa cultura, a nossa identidade e recebem o apoio financeiro e de estrutura para continuar fazendo e ensinando, de modo que possam viver com dignidade do ofício que têm e aqueles que aprendam possuam um ofício para viver com dignidade também.

Desta forma, um Ponto de Cultura resgata identidade e promove a inclusão social. Muitos podem pensar que ainda é muito pouco. Meu sonho é, sem dúvidas, maior do que isso. Mas é o começo e só depende de nós tornarmos tudo isto uma realidade cada vez maior, até que todos os homens sejam de fato reconhecidos com o mesmo valor, tenham as mesmas condições de viver com dignidade e criar seus filhos com a certeza que terão futuro em qualquer atividade que desejem.

Hoje é uma grande vitória saber que aqueles que produzem cultura, que mostram todas as faces do nosso país, podem viver do seu trabalho com a mesma dignidade de qualquer outro trabalhador. Hoje celebro um sonho que passo a passo resgata nossa identidade e os homens e mulheres que a mantém viva!

Cristina Manga

2 comentários :

  1. Simplesmente MARAVILHOSO! Parabéns Cristina

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    1. Muito Obrigada Cristian. Pessoas como você, que conhecem e lutam pela preservação e divulgação da cultura, têm um grande peso na sua opinião. Me sinto gratificada pelo trabalho e muito grata por seu depoimento. Valeu!

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