quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PROF. LEJEUNE MIRHAN DIVULGA LIVRO "ISLÃ ESSSE DESCONHECIDO"

São tempos difíceis os que vivemos hoje no mundo. Difíceis não só em termos econômicos, mas vivemos tempos de intolerância e discriminação. Agora há pouco, uma Conferência das Nações Unidas para discutir o tema do racismo foi previamente boicotada por dez países, entre eles os Estados Unidos, que têm pela primeira vez um negro de pai muçulmano na sua presidência.

O mercado editorial brasileiro, nem de longe, reflete a pujança e a força da comunidade árabe existente no Brasil. Dados de censos passados afirmam existir no país, desde a primeira geração de migrantes ainda vivo até seus filhos e neto, algo em torno 13 milhões de brasileiros – ou ainda mais – aqui nascidos ou naturalizados e emigrados, que possuem um dos seus sobrenomes árabes (em torno de 8% da população). É mais do que o triplo da população do Líbano. Existem muitas definições sobre o significado do que vem a ser “árabe”. A que mais gosto é uma que fala em pessoa nascida ou não em país árabe, mas que preza e cultua o que foi a grande civilização árabe-muçulmana, de seus feitos e realizações, criada a partir do século VII, fundada por Muhammad, mais conhecido o Ocidente por Maomé.

Talvez considerando esse passado glorioso e a imensa lacuna editorial é que os brasileiros poderão agora ter acesso ao livro Islã: esse desconhecido. Escrito pelo sociólogo, advogado e procurador de justiça aposentado, Samuel Salinas, essa obra tem tudo para vir a ser uma obra de referência. Ela resgata os valores, a cultura, a ciência de uma das mais adiantadas civilizações que já existiram em nosso planeta. Como disseram de formas distintas e em momentos diferentes, o vigoroso historiador inglês Arnold Toynbee e o sociólogo e médico francês Dr. Gustave Le Bon, não há que se falar bem de nenhum império. Eles sempre ocupam povos e territórios, tentam impor suas culturas e suas línguas. Mas, se pudéssemos tentar achar o menos ruim de todos eles, seguramente este seria o império árabe-muçulmano.

A chamada “Era Bush” chegou ao fim em 20 de janeiro deste ano. No momento em que escrevemos este prefácio, o novo presidente Barak Hussein Obama – que tomou medidas positivas e interessantes em várias áreas – ainda não mostrou a que veio com relação ao Oriente Médio, onde moram, nos 23 países árabes – considerando a Palestina que inexiste ainda no mapa – quase 400 milhões de árabe, dos quais mais de 90% são muçulmanos. A mídia como um todo e mesmo a indústria cultural e cinematográfica ainda vê com um imenso preconceito e de forma estigmatizada, não só os árabes em geral, como os muçulmanos em particular. Nomes de origem árabe e islâmica, feições e traços árabes e orientais muitas vezes são suficientes para revistas em aeroportos, alfândegas, sujeitam cidadãos de várias partes do mundo a humilhações e embaraços. Este livro procura resgatar, em linguagem simples e acessível ao público leigo, o que significou para a humanidade, em diversos campos do saber, o Império árabe-muçulmano. Não falará apenas de religião em si, mas da cultura, da ciência em seus vários aspectos. Abordará a sociedade e as relações humanas. Senão vejamos.
(...)
Um livro valioso Se a parte da população brasileira que tem origem no mundo árabe é relativamente grande e influenciou e ainda influencia a nossa cultura, nossos costumes, nossa língua e literatura, nossa culinária, em contrapartida o Islã segue ainda muito desconhecido. Não apenas desconhecido. Segue ainda até discriminado. Este livro recoloca as coisas em seus devidos lugares. Sem usar uma linguagem erudita, este advogado e sociólogo traz para o grande público – mas também para especialistas – uma obra que nos faltava. Supre uma lacuna que existia. É profundamente esclarecedor, elucida fatos, descreve minúcias de acontecimentos e fatos históricos, muitas vezes despercebidos pela maioria das pessoas. Nada nesta obra é lugar comum. Ao contrário. Mesmo para muitos especialistas e estudiosos dessa região do mundo – estratégica diga-se de passagem – uma gama imensa de novos conhecimentos são trazidos á luz. Uma leitura atenta ao Islã: esse desconhecido, nos ajudará a fazer justiça a uma das mais ricas e próspera – se não a mais próspera – de todas as civilizações e de todos os impérios que a humanidade conheceu em sua trajetória. Colocar luz sobre o povo árabe – 400 milhões de pessoas – e sobre a religião islâmica – mais de 1,3 bilhão de pessoas – e dar a sua contribuição para a paz em um mundo ainda cheio de guerras e de injustiças. Da nossa parte, temos que agradecer ao amigo e colega Samuel Sérgio Salinas por nos trazer mais essa luz. Editora Anita Garibaldi:
Prof. Lejeune Mirhan
Sociólogo e Arabista
Outono de 2009

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