terça-feira, 3 de novembro de 2009

BULLYING - UNIVERSITÁRIOS PRECONCEITUOSOS E SEUS ABSURDOS GENERALIZADOS

VIOLÊNCIA: RESULTADO DA NOSSA OMISSÃO

O que esperar de uma sociedade de maioria jovem, sem educação e com mínima instrução cultural? O óbvio: uma sociedade decadente, que busca sem critérios nem valores, apenas o consumo imediato do que der a sensação de prazer. Mesmo que isso signifique gastar o que não tenho, machucar a quem nada me fez, viver sem pensar em consequencias, expor outros a constrangimentos de toda espécie, roubar, bater, tudo é lícito para esses chamados “futuro da nação”. Que futuro é esse?

Não faltará quem me diga que é fruto da sociedade de consumo – correto, mas, onde estavam as famílias nesse processo todo? O que tenho visto são mães e pais que morrem de medo de dizer não à seus filhos! Crianças sem senso de limites que gritam quando desejam alguma coisa e os pais “conversam” e “conversam” e elas crescem e gritam mais, e gritam com os pais, professores, colegas... Os pais? “Não sei porque esse menino/a faz essas coisas”. FAZ PORQUE VOCÊ PERMITIU SEMPRE QUE FIZESSE! E se os pais deixam seus filhos impunes, porque reclamar do Estado que deixa impune outros filhos que roubam, matam, viciam, traficam, ou simplesmente batem até o desfalecimento, filmam tudo e colocam na internet para exibir o feito?

Que sociedade é esta que criamos? Será que ainda existe quem culpe somente o Estado por tudo o que nos acontece? Omissos fomos todos nós de uma maneira ou de outra. Omissos sim! Omissos quando colocamos os filhos na frente de uma TV, ou DVD, para que fiquem quietos, ao invés de ensiná-los a respeitar o que estamos fazendo, respeitar nosso trabalho, ou nosso lazer ou descanso e ensiná-los a brincar, a desenvolver criatividade, sociabilidade, habilidades e tantas coisas mais que geramos quando temos um mundo interior. O que resta? O mundo exterior da rua, da TV, da opinião dos outros, da disputa do status que me darão pelo que tenho e não pelo que sou. Então correm para o celular de última geração, laptops última geração, a roupa da moda, o carro, a moto, e sem esquecer os “ficantes” que tratam as relações amorosas como relações de consumo. Não assumem nada e quando não satisfazem mais troco a mercadoria. Dentro de pouco iremos ao PROCON no caso de ter que resolver questões sentimentais e/ou familiares. As escolares há muito já são caso de relação comercial.

Einstein disse: 'O mundo dos fatos não conduz a nenhum caminho para o mundo dos valores'. Certo ele! E as escolas o que fazem? Ensinam cada vez menos conteúdo, limitado a instrução, sem trabalhar a formação do indivíduo que por ela passa, (informação é poder, logo, que poderão essas gerações de fato?); permitem de tudo nas escolas para não perder as matrículas (leia-se não diminuir os ganhos); os alunos pensam que podem fazer qualquer coisa porque estão pagando e de fato assim é. O episódio da faculdade de São Bernardo do Campo em São Paulo semana passada mostra com clareza estes absurdos. E não foi o primeiro episódio de Bullying nessa faculdade. É indignante.

E alguém duvida que ficarão impunes? Eu não. Basta ouvir as declarações do vice-reitor sobre os fatos. Estes foram parar nos noticiários, mas todos os dias, em quase todas as escolas, a violência aberta ou disfarçada, contra alunos e professores é fato comum. Há até quem estranhe comentários a respeito por considerar “normais” tais comportamentos!

Normalizaram a conduta antiética, sem educação ou respeito! Perderam todo critério de valores da vida em grupo, em sociedade e as leis não garantem nenhum direito constitucional de fato. E onde a lei não é respeitada o que nos resta é a injustiça, a impunidade, a marginalidade de toda ordem, espécie e origem.

 Os alunos que praticaram Bullying contra a aluna em SP, antes já tiveram atitude de violência contra outra aluna da mesma faculdade. Na realidade inventaram uma desculpa para fazer tumulto e não ter aula porque “não estavam afim”. Truque que professores conhecem bem...

E que atitude tomaram os responsáveis pela faculdade e segurança dos alunos? Nenhuma! Uma aluna assustada com o tamanho da balburdia chamou a polícia! A autoridade desta faculdade provou ser nula. Para disfarçar a incompetência e a falta de atitude a resposta de sempre: a culpa é do outro - no caso da estudante de vestido curto. Quanto cinismo!

 Esses alunos não são de comunidades carentes, não são filhos da pobreza, são filhos da classe média. E todos os dias vemos crescer atos de violência praticados por eles. Sem falar no fato de serem também aqueles que mantêm o tráfico de drogas nas escolas e faculdades, cumprindo o papel de traficantes e não mais simples usuários. Atearam fogo num índio, “porque pensaram que era um mendigo”. E no mendigo pode? Espancaram uma doméstica, porque pensaram que era uma prostituta. E se fosse, pode? Quantas mulheres e pessoas de opção sexual diferente morrem neste país por assassinos “bacharéis” ou não? De onde eles tiram a idéia de que possuem direitos sobre outras pessoas?

O Ministério do Trabalho informa que cresce todos os dias o número de professores doentes. Qual é essa doença que se espalha com tal velocidade? “Fobia escolar”: professores que passam mal, têm vertigens e suam frio só de passar perto de uma escola. Que conjunto de experiências sofreram esses profissionais para chegarem a esse ponto? Em Pernambuco existe até lei que proíbe o professor/a de retirar aluno de sala de aula, mesmo que ele xingue, bata ou cuspa na cara do mestre! Caso o professor o retire será punido com a perda do emprego! Isso significa que o professor não é mais autoridade e muito menos um educador. O aluno sim é o consumidor a ser protegido! Sem comentários...

 É obvio o resultado de tais “políticas supostamente educacionais”. Violência de todo tipo o tempo todo... De todo tipo... E nós? Continuamos omissos... Todas as culpas estão do lado de lá, no outro, no Estado, nos marginais, enquanto isso mantemos relações violentas em casa (abertas ou disfarçadas), e reclamamos de todos. E nós? O que fazemos nós? Aplaudimos programas ruins, músicas ruins, novelas que exaltam tudo que não presta, e repetimos as opiniões de revistas e noticiários tendenciosos, sem nenhum constrangimento e autocrítica. A TV disse, é verdade. Assim, facilmente destruímos pessoas ou criamos supostos heróis.

É preciso urgentemente criar uma cultura da paz, uma cultura de resgate dos valores humanos, que nos recorde os critérios necessários a uma vida em sociedade, o respeito dos limites dos espaços necessários a cada grupo ou pessoa, uma contracultura que resgate o ser humano desse emaranhado de subcultura, subeducação, subpaixão, subpolítica, uma contracultura que devolva nossas consciências!

Cristina Manga
Nov/2009

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