domingo, 8 de novembro de 2009

E A UNIBAN AGORA VAI TER QUE SE EXPLICAR! AINDA EXISTE SANIDADE!

Publicada em 08/11/2009 às 19h01m Marta Beck, João Sorima Neto e Soraya Aggege,
O Globo, Agência Brasil

Ministério da Educação quer que Uniban explique expulsão de aluna que usou minissaia em aula, em SP SÃO PAULO - O Ministério da Educação pedirá à Universidade Bandeirante (Uniban) explicações sobre a expulsão da aluna Geisy Villa Nova Arruda, que foi hostilizada por seus colegas ao usar uma minissaia nas dependências da instituição. Segundo a secretária de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari, o órgão quer averiguar por que os demais estudantes não receberam o mesmo tratamento dado a Geisy.

Para a secretária, a Uniban não exerceu seu papel de educar e formar cidadãos. Maria Paula Dallari avalia que a Uniban poderia, eventualmente, ter adotado uma solução interna. - Haver um conflito não é um problema. O problema é como uma instituição que tem como dever educar e formar para a cidadania reage - afirmou. Blog do Noblat: A vitória do preconceito e do falso moralismo

O MEC pode fazer uma chamada pública à Uniban. Outro caminho seria trabalhar junto com o Ministério Público dando seu parecer sobre o caso. Além das explicações, o ministério pedirá uma cópia do processo de investigação feito pela universidade para saber o que realmente aconteceu. A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), também informou que vai cobrar da Uniban explicações sobre a decisão de expulsar uma aluna Geisy Villa Nova Arruda que usava minissaia na aula e sobre o andamento das medidas contra estudantes que a "atacaram verbalmente". Nilcéa condenou a decisão de expulsar a universitária e disse que a atitude da escola demonstra "absoluta intolerância e discriminação". Internautas condenam decisão de expulsar universitária - Isso é um absurdo.

A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos claramente quais são esses padrões - disse a ministra à Agência Brasil, ao chegar para participar do seminário A Mulher e a Mídia no Rio de Janeiro. Para advogado, não foi o uso da minissaia o motivo da expulsão, mas sim a postura da estudante que "afrontou a dignidade e a moral da universidade".

Segundo a ministra, a ouvidoria da SPM já havia solicitado à Uniban explicações sobre o caso, inclusive perguntando quais medidas teriam sido tomadas contra os estudantes que hostilizaram a moça. Nesta segunda, a SPM deve publicar nova nota condenando a medida e provocando outros órgãos de governo como o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério da Educação (MEC) a se posicionarem. " Isso é um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos "

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As cerca de 300 participantes do seminário A Mulher e a Mídia decidiram divulgar moção de repúdio à Uniban pela expulsão da estudante Geyse Arruda, que foi hostilizada no dia 22 do mês passado por cerca de 700 colegas, por usar um vestido curto durante as aulas. Aluna do primeiro ano do curso de turismo, Geyse foi expulsa da instituição, que tem sede em São Bernardo do Campo (SP). A decisão foi divulgada em nota paga publicada hoje em jornais paulistas.

A decisão da Uniban também foi reprovada pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), uma das participantes do seminário. Segundo a deputada, a expulsão de Geyse não se justifica e parte de um "moralismo idiota". - Mesmo que ela fosse uma prostituta, qual seria o problema da roupa? Temos que ter tolerância com a decisão e postura de cada um - afirmou Erundina. A socióloga e diretora do Instituto

Patrícia Galvão, Fátima Pacheco, discordou da decisão e questionou o argumento da universidade de que a aluna "teria tido uma postura incompatível com o ambiente acadêmico", conforme diz a nota da Uniban. - Ela não infringiu nada. Ela estava vestida do jeito que gosta, da maneira que acha adequado para seu o corpo e a interpretação do abuso, da falta de etiqueta é uma interpretação que não tem sentido - disse Patrícia. - É uma reação à mulher e à autonomia sobre o seu corpo. Não se faz isso com rapazes sem camisa, com cueca para fora ou calças rasgadas - completou a socióloga.

Para a psicóloga Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, a reação dos estudantes e da universidade refletem posições contraditórias e "hipócritas" da sociedade em relação à mulher. - Por um lado, a nossa cultura diz que a mulher tem que ser valorizar o corpo, afinal de contas, tem que ser bonita, tem ser gostosa e tem que se mostrar. Por outro lado, a mulher é punida quando assume tudo isso com tranqüilidade. Isso quer dizer que, para a sociedade, em termos de sexualidade, a mulher deve ser objeto de desejo e não de manifestar o seu desejo, sua sensualidade, concluiu Rachel. "Mesmo que ela fosse uma prostituta, qual seria o problema da roupa? Temos que ter tolerância com a decisão e postura de cada um "
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O Movimento Feminista de São Paulo prepara manifestação para esta segunda, às 18 horas, em frente à Uniban. Na convocação, o movimento pede que as manifestantes compareçam usando minissaias ou vestidos curtos.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) também condenou a decisão da Uniban. O advogado Nehemias Domingos de Melo, que defende a estudante Geisy pretende entrar na Justiça contra a decisão da universidade. O advogado ainda vai decidir nesta segunda-feira se entrará com pedido de liminar para que a estudante volte a frequentar as aulas ou se vai processar a universidade por discriminação. A aluna foi humilhada pelos colegas e o vídeo colocado na internet. - Nossa posição é de perplexidade nesse momento. Com o resultado da sindicância interna, que decidiu pela expulsão, e com a forma como a decisão foi comunicada (com anúncio nos jornais) - disse o advogado.

A universidade comunicou a expulsão por meio de anúncio publicado em jornais de São Paulo deste domingo. O texto informa que a estudante de turismo foi desligada do quadro discente da instituição, "em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". O anúncio tem como título "A educação se faz com atitude e não com complacência". O informe alega que "foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento". N

o anúncio, a Uniban afirma que a decisão é "o resultado da sindicância no campus de São Bernardo do Campo sobre o episódio ocorrido no dia 22 de outubro, fartamente exibido na internet e divulgado pelos veículos de comunicação". O informe diz ainda que "a aluna demonstrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse e estava acompanhada de dois advogados e uma estagiária vinculados a uma rede de televisão" em seu depoimento na sindicância. A aluna foi ouvida na quarta-feira.

A conclusão, segundo o anúncio, foi de que "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Além de anunciar a expulsão de Geisy, a Uniban decidiu "suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, de alunos envolvidos e devidamente identificados no incidente ocorrido no dia 22". No entanto, o anúncio não informa quantos alunos foram afastados e nem os seus nomes.

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