segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O POTE QUEBRADO



De repente o estrondo, o pote quebrado, o gato olhando-a fixo, o relógio marcando três horas. Foi como tudo começou.

Em segundos a confusão tomou forma. O vidro de remédio sob a mesa de cabeceira sorria sarcástico: havia sido trocado.

Abriu com esforço a porta do quarto carregando um medo denso como a escuridão que a rodeava. Dois passos adiante havia outra e mais outra, um corredor cheio de portas e cada porta igual a todas, matando um pouco, fechando-se às suas costas. Parecia presa entre espelhos paralelos de vida própria.

No final do túnel começaram os círculos, um dentro do outro girando em sentidos contrários, zumbindo em seus ouvidos, produzindo cores.

Surgiu o grito, escuro, abafado. A mulher abriu os olhos e respirou aliviada: sonhava.

Sentou-se na cama, tomou seu remédio, olhou o relógio. Marcava três horas. Deitou-se e não viu ao seu lado um vidro de remédio que sorria sarcástico.

                                                                   Cristina Manga
                                                              (in "Alguns Retratos")

2 comentários :

  1. Nooossa!! Adooooro contos assim!!!
    Pq demorei tanto pra ler? rsrsrs
    Paulinha

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  2. Esses postei hoje.
    porque demorei tanto para publicar!
    hehehe

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