sexta-feira, 29 de agosto de 2014

DE MÃE PARA FILHO


 Quase sempre quando se fala de maternidade, amor filial, amor de mãe e todos os temas relativos, sempre me parecem melosos demais, cheios de clichês, frases feitas, sublimações, que mais me parecem propaganda de TV para os dias das mães ou das crianças. Geralmente me causam mal estar, soam falsos, algo assim como “vejam que boazinha e amorosa que eu sou”, ou então “vejam como amo tanto meu filho”, ou “minha mãe a melhor mãe do mundo!”. Claro que acompanhadas de várias exclamações e aquelas expressões que não me dizem nada tipo “para sempre”, “eternamente”, “meu filho meu tesouro”, “meu amor maior”, “minha joia mais preciosa” e por aí vão com adjetivos e frases de “incomensurável amor”, soando tudo muito neurótico, falso, vazio. Sempre acabam ressaltando mais quem fala do que o suposto objeto de Amor. Parecem querer mais a aprovação social de quem fala do que sobre quem se fala. 

Amor é Amor e não precisa nenhum adjetivo para quem o conhece de fato. Ele é simples, direto, concreto em atos e desprendimentos. Sim, porque Amor não é posse, não é mercadoria de troca, não é para mostrar a outros em redes sociais. Amor é Amor. Ele liberta, não controla. Amor é doação e não cobrança. Amor é silencioso, intenso, voltado para o outro e não para si. Amor é muitas das vezes ou quase sempre renuncia do ego, do exibicionismo, se faz em atos de entrega e não de recibos de qualquer espécie. Amor é libertar e libertar-se.

Amor de mãe não é um Amor diferenciado, desprovido do humano, pelo contrário. Ele não é “outro Amor”. Amor é Amor, apenas se expressa diferente. Sinceramente vejo pouco ou nada de Amor nessas declarações adjetivadas, cheia de frases de efeitos, palavras vazias que nada refletem da real vivência do Amor.

Por estas razões fiquei emocionada há alguns dias passados, quando me deparei numa rede social com um texto escrito por uma amiga de muito tempo, uma pessoa que não é de falar sobre seus sentimentos, diria de certa forma reservada, que em função do aniversário de seu filho lhe escreve o texto que lhes apresento hoje. Nele o que vejo é a real manifestação do Amor. Sem adjetivos melosos e vazios, sem melodramas comerciais, sem propaganda enganosa (me permitam a ironia). 

O texto de Regina Chiaradia, leve, direto, perfeito, revela nas suas entranhas o Amor em todos os seus parágrafos. Expressa, eu diria as entranhas do Amor. É a mais completa definição, ou poderia dizer, revela o Amor em sua plenitude de mãe. Com certeza quem é mãe vai se identificar com ele. Quem conhece o Amor vai se emocionar e dizer: é assim mesmo! Em poucas linhas resume o intenso, o real, o fantástico sentimento de amar alguém de fato. Obrigada minha amiga por tê-lo escrito e compartilhado conosco. Você disse tudo!

Eis o texto que eu gostaria de ter escrito.

“Hoje é o dia dele!

"Quando nasceu meu rebento não era o momento dele rebentar"...

Pensar que até àquele dia e àquela hora estávamos esperando uma tal de Marie-Claude.

O bichinho não tinha nem roupa pra sair do hospital. Já Marie-Claude, era puro frufru em seus 35 vestidinhos bordados! 

Veio pra mostrar serviço desde as primeiras horas. Lutou como gente grande pela vida mesmo quando quase todo mundo (menos eu, é claro) não lhe dava nem um tostão furado por ela.

Veio que veio como um raio de luz iluminando a casa e a vida da gente. Era pura graça..... era o nosso Asterix tupiniquim !!!

Me fez mãe e melhor. 

Me empurrou para novos desafios. 

Me fez conhecer um novo amor, mas também um novo medo.

Nossa! Mãe pode até matar um leão por dia, mas como mãe tem medo de tudo! Tem medo que ele abra a cabeça naquela ponta da mesa onde passa tirando um fino aprendendo a andar; tem medo daquela febre que chega aos 40 voando; tem medo até que ele se afogue mesmo vendo que o danado já sai batendo as perninhas no primeiro dia na piscina.

E na hora de dar tchau pro ônibus da primeira excursão da pré escola? Ele aos gritos e você aos prantos!!!! Vai moleque! 

Pois é, e o moleque vai. Vai mesmo. Vai à vida, vai à luta, vai com tudo!

Um dia você acorda e o moleque já tem barba. Já tem seu próprio plano de voo. 

Tem nada não. Tá na hora de dizer de novo: Vai moleque!!!

Oh, vai mais eu tô de olho!!!

Meu moleque hoje é teu dia. Você faz aniversário de vida e eu faço aniversário de mãe. 

Moleque, me faça um favor: Seja muito feliz tá!!!”

Regina Chiaradia


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