segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O LUTO QUE NOS UNE



Está difícil dizer bom dia hoje. 
Todos os dias perdemos vidas, perdemos trabalho, perdemos assistência à saúde, perdemos segurança, perdemos em educação e vemos crescer a cultura do abuso, do ódio cego, da agressividade, do cinismo jurídico, da injustiça, da falta total de respeito à nossa Constituição, da banalização da violência e da morte. Na noite de ontem perdemos nossa memória. Nossos algozes fazem discursos como se nada de culpa tivessem nessa perda incalculável e irremediável. Talvez, salve-se a fachada do Museu. Assim como fica a “fachada” dos responsáveis posando de santos. Um discurso de fachada, enquanto assinam uma PEC que congela por 20 anos os investimentos nessas áreas e o Congresso assina. É cinismo demais. Não há dinheiro para a preservação dos direitos do povo, não há para a preservação da natureza, nem para preservar nossa memória. Mas há dinheiro para pagar votos comprados a favor de reformas absurdas, há para pagar salários indecentes ao judiciário (começando pela Suprema Corte!). Vergonha, tristeza, indignação. 

O incêndio que destruiu nosso Museu Nacional no Rio de Janeiro é um símbolo, uma materialização de tudo que estão queimando, destruindo, descuidando, abandonando do nosso patrimônio humano, cultural, econômico e social. Uma enorme tristeza se abate sobre nós. Incalculável sim, mas espero, porque sou teimosa, não seja irreparável para o que reste de dignidade, de consciência do bem comum e não individual somente, para o que resta de ser humano num povo que sempre foi acolhedor, esperançoso e gentil. Que a tristeza que hoje se abate sobre nós não diminua nossa vontade de luta por todos, por uma nação que clama por justiça, por igualdade, por direitos inalienáveis de todo ser humano! Basta!

                  Cristina Manga
                  (in "Crônicas")



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